Utilidade pública
Doação de sangue: novas regras reduzem prazos de espera e ampliam o acesso
19 de outubro de 2026
Quem acompanha as redes sociais já deve ter se deparado com pedidos de hemocentros para a doação de sangue e alertas sobre estoques baixos, além da convocação de voluntários para o atendimento aos pacientes que precisam de transfusões. Para ampliar o volume de doações e se adaptar aos avanços da medicina, as regras brasileiras foram atualizadas e passaram a valer em 30 de setembro. Uma das principais mudanças é o fim da idade máxima de 70 anos para pessoas que já são doadoras. As alterações foram estabelecidas pelo Ministério da Saúde e incluem novos critérios para a triagem do sangue e a redução do tempo de impedimento em diferentes situações.
Menos restrições para doar
Uma das mudanças que mais chamam a atenção na nova portaria é o fim da idade máxima de 70 anos para doadores habituais. Antes, mesmo quem doava regularmente era obrigado a interromper as doações ao completar essa idade. Agora, essas pessoas poderão continuar contribuindo, desde que mantenham boas condições de saúde, sejam consideradas aptas na avaliação médica e respeitem os intervalos definidos para a faixa etária. Segundo o Ministério da Saúde, a medida acompanha o aumento da expectativa de vida da população brasileira e toma por base o reconhecimento de que, hoje, muitas pessoas estão chegando à terceira idade com saúde plena e, assim, podem continuar ajudando a abastecer os hemocentros.
Outra alteração importante envolve os procedimentos estéticos. Quem faz tatuagem, maquiagem definitiva ou procedimentos invasivos, como aplicação de botox, preenchimento e microagulhamento, antes precisava esperar, em geral, de seis meses a um ano para doar sangue, dependendo das condições do procedimento e do serviço de coleta. Com as novas regras, o prazo cai para sete dias quando é possível confirmar que o procedimento foi realizado em condições sanitárias adequadas. Se essa verificação não for possível, a espera será de quatro meses.
Pessoas que tiveram determinados tipos de câncer também passam a ter a possibilidade de doar após cinco anos do fim do tratamento, desde que a cura ou remissão esteja confirmada. No entanto, a mudança não vale para todos os casos: melanoma e cânceres do sistema hematológico, como leucemias e linfomas, continuam entre as condições que impedem a doação. Outras alterações incluem a redução de cinco para dois anos do prazo após a cura da tuberculose e a possibilidade de doar seis meses depois de uma cirurgia bariátrica.
O uso de medicamentos também é avaliado de forma mais específica: para quem utiliza canetas injetáveis para emagrecimento ou diabetes, por exemplo, a portaria exige um intervalo de quatro meses antes da doação.
Como doar e quais são os requisitos?
Apesar das mudanças, continuam valendo os critérios básicos já estabelecidos para a doação. É necessário pesar pelo menos 50 quilos, estar em boas condições de saúde, ter dormido pelo menos seis horas e apresentar documento oficial com foto. Também é recomendado se alimentar até duas horas antes e evitar alimentos gordurosos. A doação pode ser feita a partir dos 16 anos, com autorização do responsável legal para menores de idade. Antes de comparecer, vale consultar o hemocentro mais próximo para verificar os horários e possíveis impedimentos relacionados à saúde, aos medicamentos ou a procedimentos recentes.
Se você atende aos critérios, procure um serviço de hemoterapia: uma única doação pode salvar vidas!
