Saúde
Quase metade dos casos de demência podem ser prevenidos ou postergados, aponta OMS
27 de julho de 2026
Acompanhando o envelhecimento da população em todo o mundo, a demência se tornou um dos grandes desafios de saúde do nosso tempo. A doença é complexa e considerada incurável, mas as novas diretrizes divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) trazem uma perspectiva animadora: até 45% do risco de desenvolver demência pode ser prevenido ou postergado. A atualização reúne as evidências científicas mais recentes e reforça que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para preservar a saúde do cérebro.
A demência é uma condição causada por doenças que afetam o funcionamento cerebral, comprometendo a memória, o raciocínio e a capacidade de realizar as atividades do dia a dia. Segundo a OMS, mais de 57 milhões de pessoas convivem com a doença no mundo e quase 10 milhões de novos casos surgem todos os anos. A doença de Alzheimer é a forma mais comum, representando entre 60% e 70% dos diagnósticos. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 8,5% de toda a população brasileira com 60 anos de idade ou mais apresenta alguma forma de demência.
Prevenção deve começar muito antes dos primeiros sintomas
Nas novas diretrizes sobre a demência, a OMS destaca que, como ainda não existe um tratamento amplamente acessível capaz de interromper a progressão da doença, a prevenção é a forma mais eficaz de reduzir a possibilidade de ocorrência de novos casos. Isso porque o risco de demência não surge apenas na velhice, mas se estabelece ao longo de décadas, tornando o cuidado precoce a melhor ferramenta disponível para evitá-lo.
Alguns dos fatores mais comumente associados ao desenvolvimento da demência são doenças crônicas não tratadas, como hipertensão na meia-idade, diabetes tipo 2, obesidade e colesterol LDL elevado, condições que prejudicam a circulação sanguínea e favorecem alterações cerebrais associadas à doença. O documento também chama atenção para fatores relacionados ao estilo de vida. Tabagismo, consumo excessivo de álcool, isolamento social e depressão têm relação direta com o aumento do risco de comprometimento cognitivo.
A perda de audição, frequentemente encarada como uma consequência natural do envelhecimento e comumente negligenciada por parte dos pacientes, também é apontada como um importante fator de risco, embora possa ser mais facilmente prevenido com o uso de aparelhos auditivos.
Diante do cenário, controlar permanentemente essas condições, adotar hábitos saudáveis e manter uma rotina de atividades físicas representam medidas essenciais para a preservação da saúde do cérebro e a redução do risco de demência. As diretrizes também recomendam investir na estimulação cognitiva, por meio de atividades que desafiem o cérebro, como palavras cruzadas e jogos. Outra dica é manter uma vida social ativa, pois o convívio social também contribui para a manutenção plena das funções mentais.
Enquanto a ciência segue em busca de novas terapias e tratamentos eficazes para a demência, adotar hábitos saudáveis continua sendo a melhor forma de proteger a saúde cerebral!
