Saúde
Sarampo volta a circular nas Américas e reforça a importância da vacinação
24 de agosto de 2026
O sarampo voltou a preocupar as autoridades de saúde em todo o continente americano. Em alerta divulgado em 8 de agosto, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) informou que, entre janeiro e julho de 2026, foram confirmados mais de 47 mil novos casos da doença em 16 países, com um saldo de 44 mortes. O número é mais de três vezes superior ao total de diagnósticos registrados em todo o ano passado. Guatemala e México, seguidos por Estados Unidos, Peru e Canadá, registram os maiores números de casos de sarampo em 2026, pela ordem. No Brasil, já são 24 casos confirmados, todos no estado de São Paulo. Apesar de os números ainda serem relativamente baixos em nosso país, a presença do vírus acende um alerta, especialmente em função da facilidade com que o sarampo é transmitido.
Doença viral altamente contagiosa, o sarampo é transmitido pelo ar e pelas secreções respiratórias. Febre, tosse, coriza, conjuntivite e manchas vermelhas na pele estão entre os sintomas mais comuns. A infecção também pode provocar complicações como pneumonia e inflamação do cérebro, principalmente em pessoas mais vulneráveis. Por se tratar de uma doença de alta transmissibilidade, mesmo a ocorrência de poucos casos já exige atenção. Segundo a Opas, a principal forma de impedir que a doença volte a se espalhar é ampliar a cobertura vacinal. A organização considera que o atual cenário nas Américas está relacionado à redução dos níveis de imunização, que gerou um consequente aumento do número de pessoas suscetíveis ao vírus.
Como funciona a vacinação no Brasil
No Brasil, a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, faz parte do Programa Nacional de Imunizações e é oferecida gratuitamente pelo SUS. A vacinação foi intensificada neste mês, especialmente nos municípios paulistas onde há transmissão. Em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a recomendação é que todas as pessoas de seis meses a 59 anos de idade procurem os postos de saúde para verificar a situação vacinal.
Para o resto do Brasil, a estratégia do Ministério da Saúde contra o sarampo integra uma mobilização mais ampla. Até o dia 1º de setembro, crianças e adolescentes menores de 15 anos podem procurar postos de saúde para participar de uma campanha de multivacinação: além da tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola), estão disponíveis vacinas que protegem contra doenças como poliomielite, meningites, pneumonias, coqueluche, febre amarela, influenza, covid-19, HPV e dengue, entre outras. A campanha também marca a primeira edição da Multivacinação com a vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20), incorporada neste ano ao Calendário Nacional de Vacinação.
Já para quem tem 60 anos ou mais, a vacina não faz parte da rotina do calendário nacional, considerando que os membros dessa faixa etária, em geral, já estiveram expostos ao vírus ou foram imunizados em períodos anteriores – o que reforça a ampla proteção garantida pelas vacinas, que atravessa gerações e garante segurança duradoura.
Fake news também são um risco
Em meio ao aumento dos casos, informações falsas sobre os imunizantes também voltaram a circular. A Anvisa precisou esclarecer que as vacinas utilizadas no país não são “experimentais”: os produtos passam por rigorosas etapas de avaliação de segurança e eficácia antes de serem autorizados.
Por isso, diante de dúvidas sobre vacinação, o melhor caminho é buscar informações em fontes oficiais e manter a caderneta de toda a família atualizada. A prevenção continua sendo a maneira mais simples de evitar que o sarampo, uma doença que já esteve sob controle no país, volte a ganhar espaço.
