Dificuldades financeiras podem prejudicar a saúde mental e o envelhecimento

3 de novembro de 2026

Chegar ao fim do mês sem saber se o dinheiro será suficiente para pagar todas as contas é uma situação comum a milhares de brasileiros. E quando essa preocupação com as finanças pessoais se estende ao longo de toda uma vida, pode deixar marcas significativas que impactam o organismo e a saúde mental. É o que aponta um estudo publicado na revista britânica ‘Innovation in Aging’, que identificou uma associação entre problemas financeiros persistentes e o envelhecimento precoce do cérebro.

A pesquisa analisou 2.759 pessoas no Reino Unido ao longo de suas vidas e identificou que aquelas que enfrentaram dificuldades financeiras contínuas apresentaram resultados piores em testes de memória verbal e velocidade de processamento de informações ao chegar na faixa dos 50 anos de idade. Em um grupo menor, de pessoas com mais de 69 anos submetidas a exames de imagem, a baixa renda persistente também foi associada a alterações na estrutura cerebral.

Os resultados da pesquisa não se limitam ao Reino Unido. No Brasil, o impacto das preocupações financeiras também se reflete em questões de saúde. Uma pesquisa realizada em agosto deste ano pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, apurou que nada menos que 89% das pessoas ouvidas afirmaram que já tiveram a saúde mental afetada por problemas financeiros. Para 80%, a falta de dinheiro e a dificuldade de pagar as contas estão entre as principais preocupações. Como consequência, o sono está entre os aspectos mais prejudicados: 71% relataram impacto na qualidade do descanso. Alterações de humor e problemas de autoestima também são questões citadas por mais da metade dos entrevistados.

É possível lidar melhor com os desafios financeiros?

Segundo especialistas, os resultados dessas pesquisas podem ser explicados pelas respostas biológicas do organismo ao estresse provocado pela insegurança financeira. A pressão constante para pagar as contas pode manter uma pessoa em permanente estado de alerta. Esse estado de tensão contínua pode favorecer o surgimento da ansiedade, da irritabilidade e da dificuldade de concentração, além de comprometer a tomada de decisões e a busca por soluções. Quando o sono também é prejudicado, o cansaço e a falta de disposição tornam ainda mais difícil lidar com os problemas cotidianos – alimentando um ciclo em que o desgaste emocional pode até mesmo piorar as dificuldades financeiras pré-existentes.

Por isso, mesmo quando não é possível contar com um aumento de renda, aprender a organizar melhor as finanças contribui para que se tenha mais clareza sobre a própria situação, o que é essencial para identificar alternativas que equilibrem as despesas. Anotar as receitas e os gastos, separar os custos essenciais daqueles que podem ser reduzidos e estabelecer prioridades para os pagamentos permite visualizar para onde o dinheiro está indo e, assim, avaliar quais ajustes são possíveis – hoje, a internet disponibiliza um grande volume de conteúdos produzidos por especialistas que ensinam sobre organização financeira, a exemplo da influenciadora Nath Finanças. Para quem já está endividado, reunir informações precisas sobre os valores devidos, os juros e os prazos de pagamento pode facilitar a negociação com os credores e a definição de parcelas compatíveis com o orçamento. Também é possível procurar orientação gratuita em órgãos de defesa do consumidor.

Se as preocupações financeiras estiverem prejudicando o sono, o humor ou as atividades cotidianas, também vale procurar apoio psicológico ou um serviço de saúde. A ajuda profissional é fundamental para que se possa lidar melhor com a ansiedade e evitar que o sofrimento emocional se intensifique.

Organizar a vida financeira nem sempre é simples. Mas, lembre-se: cada pequeno passo dado é uma grande conquista em direção ao fim das preocupações e à retomada da rotina com mais tranquilidade e qualidade de vida!