Saúde

Novas canetas emagrecedoras chegam ao Brasil, mas exigem cuidados contra falsificações

6 de julho de 2026

As canetas emagrecedoras passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de brasileiros que lutam contra a obesidade. Quando utilizadas sob prescrição médica, elas representam um importante avanço no tratamento dessa doença crônica, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade. No entanto, ao mesmo tempo em que surgem versões nacionais mais acessíveis, também aumenta a circulação de produtos falsificados e comercializados de forma irregular, colocando em risco a saúde dos consumidores.

Com a crescente procura por medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, o mercado brasileiro vive agora uma nova fase. Segundo um levantamento da Scanntech, o uso de canetas emagrecedoras aumentou nada menos que 239% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A má notícia é que o mesmo levantamento estima que o mercado informal já representa mais de 50% das doses consumidas no Brasil, o que revela um cenário de grande risco para a saúde pública no país.

O principal perigo das canetas falsas está justamente na falta de controle sobre a origem desses produtos, que podem conter substâncias desconhecidas, concentrações incorretas do princípio ativo ou sequer apresentar o medicamento prometido. O resultado pode variar desde a ausência do efeito esperado até reações alérgicas, intoxicações, infecções e outras complicações potencialmente graves. Além da falsificação, condições inadequadas de armazenamento e transporte podem comprometer a eficácia dos medicamentos, que necessitam de refrigeração. Por isso, especialistas alertam que medicamentos vendidos em redes sociais, aplicativos de mensagens ou por intermediários, sem garantia de procedência, oferecem riscos significativos.

Produção brasileira reduz custos com mais segurança

Uma das novidades que promete ampliar o acesso de forma segura é a chegada das primeiras versões nacionais da semaglutida. Desde junho, as farmácias brasileiras passaram a oferecer o Ozivy, fabricado pela EMS, primeiro medicamento nacional baseado nesse princípio ativo, o mesmo presente no Ozempic e no Wegovy. O lançamento foi possível após a queda da patente da semaglutida no Brasil, ocorrida em março. Com o fim da exclusividade da fabricante original, outras empresas passaram a poder desenvolver e comercializar medicamentos com o mesmo princípio ativo, desde que aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Ozivy chega às farmácias com preços cerca de 30% inferiores aos do Ozempic original, tornando o tratamento mais acessível, sem abrir mão da regulamentação sanitária.

Acompanhamento médico é fundamental

Mesmo com opções mais econômicas, vale reforçar que o uso das canetas emagrecedoras é recomendado apenas para pessoas com obesidade e deve sempre ocorrer sob orientação médica. Antes de iniciar o tratamento, é fundamental avaliar se há indicação clínica, conhecer possíveis contraindicações e definir a dose adequada para cada paciente. Também é importante adquirir o medicamento exclusivamente em farmácias autorizadas, conferir se a embalagem está íntegra, verificar se o produto possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e sempre desconfiar de ofertas muito abaixo do preço praticado no mercado.

Em um cenário de expansão do uso desses medicamentos, optar por produtos regulamentados e utilizá-los apenas quando houver indicação médica continua sendo a melhor forma de garantir seus benefícios com segurança e evitar prejuízos à saúde!